Por Gabriel Simplício

Com o fechamento das cidades e o isolamento social limitando a saída de casa para frequentar alguns estabelecimentos, em diversos lugares do mundo surgiram os questionamentos sobre o que fazer com os cabelos. Como cortar, alisar, cobrir os fios brancos longe do cabeleireiro?

A busca no Google pela expressão “Como cortar o cabelo em casa” mais que dobrou e teve seu pico nas pesquisas durante os meses de março, abril e maio, de acordo com os dados do Google Trends. Mesmo com a flexibilização e a abertura de salões de beleza, os cuidados com a aparência em casa parecem ter vindo para ficar.

Uso de filtros X Movimento naturalista

Já com a instalação do Home Office, a chegada das lives e até reuniões de família por vídeo, que levaram todo mundo para a frente de uma câmera, pudemos notar também um crescimento expressivo com relação ao uso de ‘filtros de embelezamento’. O recurso digital, que já vinha em uma crescente nas redes sociais, permite ao usuário aparecer como se estivesse com maquiagem, mudar o corte e a cor dos cabelos, entre outros aspectos que podem transformar qualquer ser humano em uma versão meio híbrida de corpo físico e avatar digital, quase como uma vida dentro de um videogame. 

Mas também foi possível observar outros movimentos se fortalecendo nesse período. Nem só de filtros e interferências na própria imagem viveram as redes sociais. Ainda que possa ser avaliado como mais silencioso, um movimento de beleza positivista e naturalista, liderado principalmente por mulheres, promoveu um convite a um reencontro com a forma mais orgânica e natural da autoimagem e percepção de beleza. Uma beleza nua! O cabelo livre de coloração cosmética ou alisamento químico. O corpo sem a visita de procedimentos estéticos invasivos. O rosto, sem o maquiador profissional em um evento social, se olhou como quem acaba de acordar e vai continuar assim até a hora de dormir.

A pausa em algumas práticas de beleza com profissionais, em centros de beleza, provocada pelo isolamento social, fez algumas pessoas recalcularem a rota na hora de pensar sobre procedimentos, consumo e interação estética. E qual seria então a função da beleza na autoimagem? Serve para disfarçar e simular ou realçar características naturais de qualquer e todo corpo humano?

Ainda não é possível arriscar dizer se esse período de quarentena será lembrado como a descoberta do Faça Você Mesmo, do Digitalize sua Imagem ou do Preferi Não Interferir. Mas o que se pode dizer é que o isolamento também foi um convite a todos para estarem frente a frente com o espelho, e não foi possível recusar.

Comentários

Comentários