Marcas brasileiras começam a apostar em nicho do segmento plus size, que deriva da invasão do sportwear no guarda-roupa do brasileiro

 

A inserção de peças esportivas em looks que vestem as pessoas do trabalho à balada não passou despercebida pela Acqua Rosa Moda Praia, marca brasileira que há 15 anos se dedica ao segmento plus e que lançou a linha Sporting Way, com oferta de peças fitness para as mulheres com manequins até 58.

“A mulher plus size já deseja peças fitness no seu dia a dia, mas falta o mercado acreditar nisso, motivo pelo qual 90% da produção da Sporting Way ainda ser destinada a tamanhos regulares”, revela João Macedo, diretor da marca, que continua, “a maioria dos lojistas ainda pensa que o segmento fitness só serve para o ambiente de academia, mas isso não é verdade. As pessoas vestem essas roupas para ir a qualquer lugar”, afirma.

O empresário conta que o mesmo processo aconteceu no início dos anos 2.000, quando a sua marca começou a ofertar biquínis para mulheres plus size. “O mercado já entendeu que a plus size quer opções variadas de beachwear que respeitem seu corpo, mas enfrentamos muita resistência no início”, relembra João, que hoje, além de ter clientes em todo o território nacional, ainda exporta artigos de beachwear para Japão, Estados Unidos e Líbano.

 

Tecnologia e praticidade

João explica que a tecnologia empregada nos tecidos do segmento fitness caem como uma luva para as mulheres plus size. “A maioria dos fornecedores só trabalha com tecidos que possuam respirabilidade, controle de odor e que sequem rápido. Além disso, há opções de alta compressão que deixam tudo no lugar, como elas gostam”, completa.

Fernanda Carvalho, coolhunter e diretora do FFB (Functional Fabrics Bureaux), explica que essas características fazem com que cada vez mais pessoas busquem peças de sportwear.  “A palavra-chave de 2017 é ‘coexisciência’, um ponto de equilíbrio entre a natureza e a tecnologia na vida do homem moderno. As características funcionais dos artigos fitness aliadas à possibilidade de uso em praticamente qualquer look é responsável pelo aumento da procura desses itens por pessoas de todo o globo”, afirma.

 

Tamanho importa sim!

Andrea Boschin, modelo plus size

Andrea Boschim, modelo plus size

Andrea Boschim, modelo e idealizadora do Fashion Weekend Plus Size, primeiro evento de moda para o segmento no Brasil, alerta para a restrição de modelos com manequins até 48 na maior parte das campanhas publicitárias e provas de roupas. “As agências recrutam modelos mais magras, justamente por elas não denunciarem tanto seu tamanho quando vão fotografar, já no caso de modelos de prova, há menos gasto de tecido para confecção da roupa”, revela.

Segundo ela, a ausência de modelos plus com manequim acima de 50 significa mais uma marginalização dessas mulheres. “Eu visto 56, logo a ergonomia pensada para uma peça no manequim 48 não serve para mim e muito menos para uma mulher tamanho 60”, finaliza.

 

Mercado Plus Size

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais da metade da população brasileira está acima do peso. O mercado de moda plus size, também conhecido como tamanhos grandes, já movimenta cerca de R$5 bilhões ao ano, com projeção de crescimento de 10% em 2016, de acordo com pesquisa divulgada pela ABRAVEST (Associação Brasileira do Vestuário).

 

Fotos: Marcella Ferrari Boscolo

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