Relatório da Abicalçados apresentou desempenho do setor nos mercados interno e externo

 

A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) divulgou essa semana o relatório de 2017, que analisa o desempenho do setor em 2016. De acordo com a associação, o Brasil possui cerca 2,3 mil empresas produtores de calçados, em mais de 11 estados com produção expressiva.

Os dados da análise revelam que, no ano passado, a produção calçadista atingiu 954 milhões de pares, resultando num crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior, sendo que a maior parte são chinelos (45%), seguidos por modelos casual e social (40%), esportivos (7,8%), segurança (4,7%) e ortopédico (1,9%).

O estudo avaliou que a crise político-econômica, responsável pelo desemprego de 18 milhões de brasileiros, endividamento de cerca de 60% das famílias e a regressão de 7,2% do PIB brasileiro desde 2015, retraiu o volume de sapatos vendidos no varejo nacional no período em 20%, totalizando 18,6 bilhões de pares em 2016.

 

Dólar instável

“O dólar alto é bom tanto para as exportações quanto para as importações, pois funciona como uma barreira para o produto estrangeiro em nosso mercado ao mesmo tempo que aumenta nossa competitividade lá fora”, explica Heitor Klein, presidente da Abicalçados, que revela que hoje, 80% do consumo de calçados no país é de produtos nacionais.

Contudo, a volatilidade do câmbio impulsiona o cenário de incertezas no mercado até o final do ano. “Seguimos prevendo um desânimo nas exportações, especialmente causado pela defasagem cambial, e a constante flutuação causada pela crise política”, avalia Heitor.

 

Exportações

No período, o estudo demonstra que as exportações cresceram 3,9% em dólares, fechando 2016 em US$998 milhões. Entre os meses de janeiro e maio de 2017, as importações de calçados já somam US$441,4 milhões, 20% a mais em receita gerada em comparação ao mesmo período do ano anterior.

 

Custo Brasil

De acordo com Klein, o chamado Custo Brasil recai no setor calçadista em três aspectos, impostos altos, correspondentes a 35% do valor final dos calçados, taxas de juros elevadas e folha de funcionários.

Sobre isso, o deputado Renato Molling, presidente da Frente Parlamentar de Defesa do Setor Coureiro-Calçadista, destaca, “queremos a substituição da contribuição da previdência social de 20% sobre a folha de salários pelo pagamento de 1,5% sobre o faturamento bruto da empresa”.

A respeito dos altos juros e impostos, Klein ressalta que a saída do produto brasileiro é investir no design. “Precisamos sair da competição por preço lá fora, uma vez que a desvalorização da nossa moeda age como um compensador ao Custo Brasil”, finaliza.

 

Destinos

O principal destino do calçado brasileiro no exterior continua sendo os Estados Unidos (22%), seguido pela Argentina (11%), França (5,6%), Paraguai (4,8%) e Bolívia (4,6%).

 

Créditos da imagem: Ana Luíza Camacho

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