André Carvalhal no Senac Lapa Faustolo

André Carvalhal no Senac Lapa Faustolo

“Eu vejo a inspiração como uma via de mão dupla, apesar de ela ser muito associada à extração de informação, me inspiro quando devolvo as mensagens para o público também”, comenta André Carvalhal, gerente de marketing da Farm, logo no início da entrevista, no Senac Lapa Faustolo.

Ele, que busca inspiração em gente, fez sessões de análise nas marcas de moda em seu primeiro livro, publicado pela Editora Senac, e agora, prestes a lançar mais um, questiona o propósito da indústria da moda na atualidade, anunciando seu fim como a conhecemos.

Confira o ping-pong do André com o #ModaInfo:

Você é jornalista, publicitário e diretor de marketing. O que inspirou suas escolhas?
As pessoas me inspiram sempre. Tanto na comunicação, quanto no marketing, sempre quis entrar em contato com gente, entender o que as pessoas buscam e como me comunicar com elas.

E como a moda surgiu no seu caminho?
Surgiu por acaso, quando entrei na FARM para trabalhar na área de marketing digital. Eu nunca planejei trabalhar com moda, pois, para mim, era necessário fazer roupas ou ter uma marca para ingressar nesse mercado.

Mas você já se interessava pela área?
Na FARM eu comecei a resgatar minhas memórias antigas sobre a moda, como as imagens das revistas que eu adorava recortar, os catálogos que eu juntava. A imagem da moda sempre me seduziu.

Interessante, porque você vem do texto
Exato. Eu vejo a moda como uma ferramenta narrativa, uma contação de história, por isso a relaciono muito à palavra e percebo que essa é uma grande dificuldade para a maioria, já que não se aprende a pensar a moda desta forma. Há muita preocupação com as imagens, mas não com o discurso.

E qual é seu ponto de partida em cada coleção? 
Sempre quando eu vejo uma coleção, eu começo a trabalhar imaginando quais palavras têm a ver com ela, qual é seu universo e que histórias ela quer contar, inclusive por meio das cores e formas. Utilizo a imagem e o texto a serviço da narrativa.

E veio daí a ideia de escrever um livro?
Quando eu ingressei na moda, fui atrás de formação na área e comecei a recolher material. Um dia entendi que a hora de devolver o meu aprendizado para as pessoas tinha chegado e idealizei o livro.

Você gostou dessa experiência?
Foi difícil e, na época, eu achei que nunca mais escreveria um livro na vida, mas já estou finalizando um novo livro sobre o futuro da moda.

E qual é o futuro da moda? 
Melhor pensar em futuro do mundo. A forma de as pessoas se relacionarem mudou, o modelo do fast fashion é insustentável em longo prazo e, cada vez mais, o público vai preferir marcas que se envolvam com elas e com o ambiente que as cercam, trabalhando pelo seu desenvolvimento. O propósito é o novo estilo de vida.

Seu livro lembra uma sessão de análise em vários momentos. É um dever do marketing colocar a marca no divã?
Sim, eu vejo o gestor de marca como um terapeuta, que entende a marca e a auxilia na sua trajetória de autoconhecimento. Penso que, mais do que apontar caminhos, deve-se participar da descoberta da consciência da marca como organismo vivo.

Quem conhece mais o próprio público, as grifes ou as boutiques de bairro?
As boutiques de bairro, com certeza, porque o contato direto com as pessoas é insubstituível. Hoje há muitas ferramentas para as grifes acompanharem seu público, seja utilizando métricas da internet, seja passando um dia na loja para pesquisar, mas nada substitui o olho no olho que as lojas de bairro estabelecem.

E dentro disso, qual é o desafio do gestor de marca?
Mesmo com as ferramentas, entender as pessoas ainda é um desafio. Eu vejo muitas marcas se perguntando o porquê de a coleção não vender, sem questionarem os clientes a respeito do que eles gostam ou precisam, sem se envolverem genuinamente.

 

Foto: Marcella Ferrari

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