Pesquisador do SENAI/ CETIQT faz reflexão sobre o tema com o público do MoDe, em São Paulo

 

Semana passada, a Abepem (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda), trouxe ao MoDe, evento de Moda e Design que discutiu economia, inovação e sustentabilidade, o engenheiro têxtil Flavio Bruno, pesquisador do SENAI/CETIQT, para falar sobre seu livro Quarta Revolução Industrial no setor têxtil e de confecção, lançado neste ano pela Editora Estação das Letras e Cores.

O assunto está na pauta de diferentes segmentos da indústria e Flavio assegura que tem tudo para transformar a cadeia de moda como a conhecemos hoje. “Apesar de os setores têxteis e de confecção ainda atuarem na lógica de massificação da 2ª revolução industrial, fenômeno do século XIX, já identificamos o potencial de automação dos sistemas de produção com base no comportamento do consumidor para um consumo personalizado como uma tendência para 2.030”, afirma o pesquisador.

Ou seja, para o especialista, conceitos como o de Internet das Coisas e dos Serviços entram como vetores de transformação em sistemas de produção que, com autonomia, conseguirão identificar e executar a necessidade de confecção de novos produtos feitos sob medida para o consumidor final, eliminando-se aí a necessidade de haver lojas físicas ou mesmo do setor de compras nas empresas.

Então, de cara, já há a possibilidade de estreitar o laço entre indústria têxtil e de confecção com o cliente final, mas pense que, se é o consumidor que vai demandar a produção de uma roupa ou acessório, não haverá mais a necessidade de estoque, nem de lojas físicas. “Esse sistema, chamado activated purchase manufacture, ou produção ativada pelo consumidor, coloca o cliente final como criador e usuário dentro do sistema de produção”, avalia Flavio.

 

Sob medida e à pronta-entrega

A individualização da produção e do consumo possibilitada pela tecnologia deve estar associada à rapidez na entrega, sistema chamado por Bruno de compressão espaço-temporal. “Se eu desejo algo feito para mim rapidamente, não posso importar da China, demora muito. A grande tendência é a miniaturização da produção atenda às pessoas onde elas moram e esteja próxima do perfil de uma comunidade”, explica.

Por isso, o palestrante traz o conceito de automação modular de infraestrutura das fábricas, que terão suportes portáteis e móveis, como um trailer, prontas para fixarem-se temporariamente em um ponto-de-venda. “Se eu tenho uma plataforma desmontável e modular de produção, que tem tecnologia para fabricar os produtos em tempo real para os clientes, o mark-up morreu, pois vou atuar direto com quem já pagou, isso traz sustentabilidade para o meu negócio”, acredita o pesquisador.

 

Autonomia para as roupas

Por fim, os tecidos inteligentes e as tecnologias vestíveis, os wearables, vão trabalhar a favor da automatização da manutenção das necessidades básicas do usuário, o cliente final, e enviar informações para o sistema de informação em nuvem, como o caso das roupas que monitoram pressão arterial ou que esfriam ou aquecem o corpo conforme sua temperatura, revelados recentemente pelo MIT.

Achou interessante? O mais legal sobre o livro do Flavio é que ele está disponível gratuitamente para download no site da Estação das Letras e Cores! Faça o download clicando aqui

Confira alguns cases bacanas destacados pelo Flavio em seu livro que servem como uma espiadinha no futuro do sistema da moda:

 

Virtual Inventory Manufacturing Alliance, projeto piloto de uma minifábrica modular que produz roupas sob encomenda em curto prazo:

 

Active Tunnel Infusion, máquina que permite individualizar a estampa, a cor e o molde para produção de uma roupa. O mais interessante é que a estampa por sublimação não desbota quando alvejada com cloro:

 

Miralab – simulador de têxteis HAPTEX, que te permite “sentir o tecido” virtualmente:

App Nettelo, de escaneamento corporal:

 

 

Foto: Sabrina Leite Santos/ SLS Assessoria e Consultoria

Comentários

Comentários