Confira o review do segundo dia de desfiles

 

Cruzes e pentagramas invertidos em blazers e moletons, labaredas bordadas que roubam a atenção nos ternos, grilhões no pescoço e amarrações para fechar as camisas dos modelos. Esses signos são o ponto de partida para se compreender a coleção desfilada por João Pimenta no SPFW (São Paulo Fashion Week) N44. Nas palavras do próprio, uma releitura de céu e inferno.

“A coleção surgiu de um estudo sobre liturgias sagradas que venho fazendo há um tempo. Dessa vez, enveredei pelo lado da magia negra, em contraponto ao catolicismo. Um modo de enfrentar os demônios”, explica o estilista.

No sentido de continuidade do trabalho feito na temporada anterior, os ícones dark se mantém fortes, com uma queda também pelo esotérico, presente em estrelas de Davi e olhos da providência bordados, em alta na moda desde o ano passado.

A mistura da alfaiataria com o streetwear também se manteve em alta no trabalho de João, que dirigiu paralelamente a Lab, label dos rappers Emicida e Fióti por duas temporadas.

A complexidade dos looks fica a cargo da escolha ousada de mix de tecidos, como neoprene com crochê, gaze com couro e renda com linho, que chama a atenção para além da cartela de cores enxuta, composta por branco, preto, um pouco de dourado, bege e vermelho-cereja.

 

João Pimenta

 

Veja mais destaques do dia:

 

Paula Raia

A estilista trouxe uma apresentação que propunha um olhar terno sobre o empoderamento feminino e a sororidade, palavras em voga nas discussões sociais, em pecas ricas em bordados e desfile performance em ambiente zen.

ViX por Paula Hermanny

A marca de beachwear segue investindo na tendência de biquínis e maiôs com modelagens amplas, próprias para quem pretende usá-los fora da praia também, como um coringa, numa coleção com perfume retrô 1960 e paleta de cores terrosas, além do branco e o azul-escuro. A inspiração náutica se faz notar tanto nas pecas, amarradas com cordões, quanto nos acessórios, como brincos de anzol e conchas.

Uma, de Raquel Davidowicz

O beachwear “pronto pra vestir na rua” também deu pinta na passarela da Uma, que desfilou na Japan House uma coleção inspirada no artista americano Cy Twombly, com pegada esportiva e silhueta fluida.