Coleção foi pensada para compôr a exposição Situações, da Estação Pinacoteca, durante o desfile

 

Fernanda Yamamoto abriu o terceiro dia de desfiles do SPFW na Estação Pinacoteca, no centro de São Paulo, com uma coleção composta por vinte looks negros elaborados a partir de experimentos de desconstrução da alfaiataria clássica, especialidade de seu braço direito, o modelista Fernando Jeon.

Pensando em dialogar com a exposição de arte contemporânea “Situações”, com obras de diversos artistas brasileiros na Estação, a marca propôs formas e proporções que tiraram o tal “pretinho básico” da zona de conforto. “O nosso esforço na construção das peças foi tão grande que optamos pelo preto como cor neutra, queríamos justamente valorizar a modelagem”, explica Fernanda no backstage.

A inquietação da estilista não para por aí, estruturas como o crinol, utilizadas por baixo das saias para conferir volume, ganharam protagonismo, reinterpretadas como corsets, basquet estrutural e até mesmo casaco, além das costuras aparentes que, nas palavras da estilista, denotam a vontade de pensar “a moda como expressão do que está além das aparências”.

O conceito de upcycling também esteve presente na utilização de ourelas (barras dos tecidos) para compor o casaco junto a pedaços de renda renascença e peças de couro, como uma reinterpretação do casaco da coleção anterior, inspirada no trabalho das rendeiras do Cariri. Flores em couro, borracha e cristais e aparecem nos delicados bordados das capas de seda.

A risca de giz, padronagem clássica da alfaiataria, também foi reinterpretada em fios de náilon encapados com linha, que percorriam as roupas como fios condutores dos olhares da plateia pela experiência proposta pela estilista com a forma dos tecidos sobre o corpo.

A defesa da estilista em prol de um segundo olhar para o que está acontecendo com a moda em tempos de see now, buy now não é nova, faz parte de seu DNA de marca, que valoriza o tempo, o fazer manual e as digitais humanas nos códigos da criação de peças elaboradas quase que totalmente à mão, motivos pelos quais a label apresentou o número reduzido de looks. “No desfile, apresentamos o trabalho dos nossos sonhos, para mim, esse imediatismo não funciona”, finaliza Fernanda, que ainda desfila no SPFW uma vez por ano, sem se ater às estações.

Fotos: Agência Fotosite

 

Comentários

Comentários