Alunos de moda do Senac SP encaram o desafio de criarem coleções-cápsulas a partir de técnicas de reaproveitamento e upcycling

 

Já imaginou desenvolver uma coleção-cápsula sustentável utilizando apenas resíduos têxteis de coleções anteriores para uma marca de moda?

Esse desafio foi proposto pelo #ModaInfo 2.18 em parceria com a Cia. Hering para o Staff Lab dessa edição, um grupo que reuniu cerca de 37 alunos de moda das unidades Lapa Faustolo, Jundiaí e do Centro Universitário, que apresentaram suas criações em pitching semana passada, na Casa Jardim Secreto, loja colaborativa no bairro do Bixiga.

“A cada nova edição do Senac Moda Informação, desenvolvemos desafios que integrem os alunos do Staff Lab com parceiros do mercado para extrapolar o ambiente da sala de aula na realização de projetos que promovam a ressignificação da pesquisa de tendências de moda, nosso propósito”, explica Nathalia Anjos, coordenadora de conteúdo da plataforma.

Para tanto, o Staff Lab recebeu um kit com amostras de malhas e tecidos planos da Cia. Hering, além da demanda de equilibrar senso estético e apelo comercial ao propósito da sustentabilidade nas propostas.

Ao todo, 8 coleções foram apresentadas pelos alunos à banca julgadora, que contou com a Nathalia e o time da Cia. Hering, representado pelas estilistas Ana Paula Siewert e Layana Chaves e os profissionais Débora Ferraz e Raphael Rosso, da equipe de recursos humanos da companhia.

Além dos critérios de criação mencionados acima, a banca avaliou a composição dos moodboards, a seleção da cartela de cores e o desenvolvimento das fichas técnicas dos looks, assim como a coerência e coesão na hora de apresentar a proposta.

“Numa grande companhia de moda, o pitching de coleção é um momento muito rápido para nós do departamento de criação vendermos nossas ideias para a equipe comercial, por isso, além de uma apresentação coerente e bem-feita, precisamos ter as respostas sobre o público para quem estamos criando moda na ponta da língua. Foco é essencial”, avalia Ana Paula.

Moodboard da coleção Camponio, desenvolvida pela dupla Giovana Basile e Ana Lívia Varanese

Em meio a propostas que revisitaram períodos importantes na moda, como os anos 70 e 80, além de temas contemporâneos como a moda agênero, o plus size e a representatividade dos movimentos sociais, a coleção-cápsula Campônio, com pegada boho, idealizada pelas estudantes do curso técnico em produção de moda Giovana Basile e Ana Lívia Varanese, levou o prêmio de um vale compras no e-commerce da companhia, um guided tour no showroom da marca e ingressos para o #ModaInfo 2.18, que acontece nesta quinta-feira, 4/10.

“As meninas que criaram essa coleção nos impressionaram pela coerência da pesquisa e desenvolvimento dos produtos, extrapolando suas criações em roupas e acessórios com uma noção muito definida de público-alvo, mandaram muito bem”, revela Ana Paula.

 

Sustentabilidade no meio da moda

Em voga no meio da moda, a sustentabilidade também está em sintonia com um novo momento para a Cia. Hering, que há dois meses decidiu apostar numa linha de produtos desenvolvidos para o público com técnicas de upcycling e reaproveitamento de matéria-prima, a MFO (made for outlet) que já está à venda nas sete lojas outlet próprias do grupo.

“Numa marca, as sobras de materiais ocorrem por N motivos e, para que possam ser realmente ressignificadas no nosso processo de criação enquanto matéria-prima inicial de uma nova coleção, precisamos antes ressignificar o nosso pensamento sobre o descarte rápido das peças, que já não funciona mais nos dias de hoje”, avalia Ana Laura, que coordena a MFO.

Com mais de 800 lojas no Brasil e exterior, a Cia. Hering, que além da marca homônima e da Hering Kids, detém a Dzarm e a PUC, é um dos poucos grupos grandes em nosso país a controlar todo o processo produtivo, do fio ao cabide, o que dimensiona o desafio de transformar todo o material de descarte em produto de moda.

“Decidimos introduzir os produtos da MFO em nossas outlets para conseguirmos mensurar concretamente sua aceitação por parte do nosso público”, explica Ana Paula Siewert, que coordena a linha.

Apesar de a preocupação com a sustentabilidade ecoar cada vez mais alto no meio da moda, suas estimativas de consumo de recursos naturais e descarte de insumos em escala global ainda são alarmantes.

O Copenhagen Fashion Summit, um dos maiores eventos sobre sustentabilidade na moda, publicou em seu report que, apenas em 2015, o meio fashion consumiu quase 80 bilhões de metros cúbicos de água doce, emitiu mais de um milhão de toneladas de CO2 e produziu 92 milhões de toneladas de resíduos no mundo todo. Difícil não pensar nisso, né?

No segmento dos grandes varejistas de moda nacional, marcas como Renner e C&A também têm desenvolvido novas linhas de roupas direcionadas ao processo produtivo circular, que visa mitigar esses dados, além de ateliês como a Grama, Flavia Aranha e Comas, que já nasceram no sustentáveis e fazem coro ao movimento slow fashion local, participando inclusive de uma semana de moda inteira dedicada ao assunto.

Como diz Mariana Pelliciari do Roupa Livre, “somos responsáveis por nossas roupas durante toda a sua existência”. E consciência é uma coisa que não tem volta.

 

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