Entenda as principais tendências do mercado de moda para o ano que vem

 

O ano de 2019 será turbulento para a maior parte do trade global de moda, segundo a previsão conjunta da consultoria de gestão McKinsey & Company e o portal Business of Fashion publicada semana passada no report The State of Fashion 2019.

“Para os players da moda, 2019 será um ano de despertar. Os que tiverem sucesso terão de aceitar que, para o novo paradigma sendo moldado ao seu redor, algumas regras antigas simplesmente não funcionam”, revelam logo na carta de apresentação do report, baseado numa pesquisa realizada anualmente pela McKinsey com mais de 270 executivos, além dos dados de 500 empresas ao redor do globo, de tamanho, origem e segmento variados.

O exercício de resiliência dos empresários para lidarem com o cenário de volatilidade e incerteza promovido pela polarização econômica no mundo se desdobra na expectativa de crescimento para o setor prevista no estudo, que gira em torno de 3,5% a 4,5% para 2019, um pouco maior do que a projetada para 2018, de 4% a 5%.

Contudo, essa previsão de melhora não se projeta de modo uniforme para o trade. De acordo com o report, os 20 principais players do mercado concentram 97% dos lucros e, não por acaso, esse cenário positivo se volta ao segmento de luxo e a potências econômicas, como os Estados Unidos e o grupo conhecido como Grande China, composto pelas províncias de Macau, Hong Kong e Taiwan, cuja crescente fatia de mercado deve se sobrepor à americana pela primeira vez neste ano.

Assim, o relatório conclui que a conotação pejorativa do produto barato made in China sai de cena para dar vez a um mercado focado no gosto do consumidor nativo, que já é atendido por 18% do trade de luxo e não aceita ser mal-tratado, haja vista o caso recente de boicote nacional à Dolce & Gabbana nas redes sociais após a veiculação de um comercial machista produzido pela marca, que culminou no cancelamento do desfile em Xangai.

A Ásia é a região que verá o crescimento mais significativo, com 51% dos executivos pesquisados ​​esperando que o setor de luxo faça mais lucros na região em 2019. Além da ascensão da Grande China, o estudo aponta que a Índia está a caminho de se tornar o sexto maior mercado de vestuário até 2022, com a expectativa de entrada de mais de 300 marcas de moda internacionais no país.

Na contramão, o estudo prevê que a América Latina, o Oriente Médio, a África e a Rússia se mantenham na retaguarda do crescimento, por conta dos desafios político-econômicos nesse cenário que deverão deixar o consumidor mais cauteloso com seus gastos.

A indústria britânica de têxteis, vestuário e calçados também será atingida devido à saída do Reino Unido da União Europeia em março. Segundo o relatório, cerca de 10 mil cidadãos da União Europeia estão empregados na indústria da moda britânica. Cerca de 63% dos designers de moda do Reino Unido e 55% dos fabricantes de artigos de luxo do Reino Unido estão envolvidos nas exportações.

Apontado por 80% dos entrevistados como um dos principais conceitos para a temporada, o self-disruptive (em tradução livre do inglês, autodisruptivo), propõe um processo de autoanálise para as marcas em busca de ressignificação dos modelos de negócios em sintonia com suas essências criativas para se conectar com os novos perfis de consumidores, ponto focal das discussões promovidas pelo #ModaInfo nos seus encontros que reuniram os players da moda nacional nos últimos 2 anos.

É importante frisar que a proposta de autodisrupção não se limita ao âmbito financeiro, passando pelas esferas de relacionamento e responsabilidade social, como aponta o relatório. “Independentemente do tamanho e do segmento, as marcas precisam ser flexíveis, pensar primeiro no formato digital e atingir uma velocidade cada vez maior no mercado. Elas precisam ter uma postura ativa em questões sociais, satisfazer as demandas dos consumidores por ultratransparência e sustentabilidade e, mais importante, ter a coragem de perturbar sua própria identidade e as fontes de seu antigo sucesso ”.

Confira o report completo neste link.

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