Jaloo

Jaloo fotografado para o álbum #1

Ele compõe, canta, interpreta, remixa, arranja, produz e ainda dirige. O artista paraense Jaloo ficou famoso pela mistura bem-sucedida entre os contrastes de seu álbum de estreia, #1, em 2015, como o brega e o indie, o eletrônico e a tropicália, tornando-se desde então um dos nomes mais interessantes da música brasileira.

O remix do tecnológico com o orgânico também marca presença na imagem do dono dos hits Insight, Chuva e Last DanceMillenial, Jaloo é do tipo de pessoa que lança um segundo olhar para tudo a sua volta e reflete uma geração que não se prende a rótulos para seguir provando.

Tanto é que, após abusar do pós-realismo na concepção visual do #1, ele agora experimenta a naturalidade nos looks, priorizando o conforto para os shows. É exatamente essa fluidez que ele revela na entrevista com o #ModaInfo. Confira:

 

Jaloo, em pocket show no São Paulo Fashion Week

Jaloo, em pocket show no São Paulo Fashion Week

Como foi desenvolvido o conceito visual do seu primeiro disco?
Eu trabalhei o disco inteiro com muita cor, usei maquiagem forte, olho marcado e pele bem feita. Minha estética tem muito do feminino, algo que eu neguei na adolescência, mas hoje eu adoro.
Eu me inspirei também no visual das dançarinas Aya Sato e Bambi, que trabalharam com a Madonna.

Agora, estou numa segunda fase, que é assumir minha natureza e interferir o mínimo possível. Priorizo o conforto nos meus looks para os shows, coisa que não fazia no início.

 

Realmente, você está super low profile, mas, geralmente, te vamos montado por aí… 
É assim mesmo, sou de lua. Às vezes eu vou montado pra um evento que nem precisa se arrumar. Gosto muito de contrastes, são eles que me inspiram. Tenho fascinação pelo estranhamento.

 

Como você lida com as tendências nesse processo?
É importante se olhar no espelho e saber o que faz sentido pra você. Apesar de haver as tendências de moda, elas não invalidam esse primeiro discurso.

 

Você incorporou vários elementos estéticos indígenas na sua persona. E no dia a dia, o que vem dessa herança?
Minha bisavó era índia e minha vó foi criada por ela, então eu absorvi algumas coisas. Eu tenho comigo uma leitura da natureza muito forte, consigo sacar quando vai chover, quando o dia será bonito. O Pará também tem essa relação intensa com a chuva.

 

A espiritualidade é presente na sua imagem, qual é a sua relação com ela?
Eu sou ateu, mas leio horóscopo. Penso que isso é algo muito comum da nossa geração, temos interesse em espiritualidade, mas não nos conectamos com as regras de uma determinada religião. Tenho fascinação pelo estranhamento.

 

E qual é o seu signo então? 
Sou virgem com ascendente em capricórnio. Sou chatinho, quem trabalha comigo já sabe que quero fazer tudo do meu jeito.

 

Pois é. E como você consegue arrumar tempo para produzir, dirigir, cantar? 
Estou começando a reconhecer que não dou conta de tudo isso. No começo, eu não pensava assim, mas hoje eu estou delegando mais para pessoas em quem confio e com quem posso ter relações próximas. Isso é importante pra mim, trabalhar com alguém que tenha liberdade pra ser sincero em relação ao trabalho.

 

Você já se adaptou a São Paulo?
Não, mas acho que nem os paulistanos se adaptam. Tenho uma relação de amor de ódio com essa cidade.

 

O que você odeia e o que ama?
Odeio a falta de olho no olho nas relações sociais, mesmo quando isso é necessário. As pessoas caminham na rua mexendo no celular e te derrubam se você não desvia. Para mim, a rua é um lugar de atenção, de admirar e sorrir.
Por outro lado, amo a diversão. Gosto muito de frequentar o centro, a rua Augusta, a praça Roosevelt, as festas de rua, a Capslock, o metanol FM e a Voodoohop.

 

Quais os discos que você está ouvindo atualmente?
I remember, da AlunaGeorge, Dangerous Woman, da Ariana Drande, Blonde, do Frank Ocean, Encore, do DJ Snake e MC Linn da Quebrada.

Fotos: Divulgação

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