Juliana, Maíra e Nana, sócias fundadoras do Think Eva

Juliana de Faria, Maíra Liguori e Nana Lima, sócias-fundadoras do Think Eva

A imagem da mulher venusiana, feliz por se adequar aos padrões para agradar à sociedade – e repetida à exaustão pela mídia desde sempre – vem dando sinais de cansaço e perdendo espaço para novos perfis, críticos, que desejam viver experiências novas totalmente desvinculadas dos clichês de gênero.

O despertar dessa consciência coletiva não passou despercebido pelos olhos atentos de Juliana de Faria, Maíra Liguori e Nana Lima, amigas e sócias do Think Olga e Think Eva, iniciativas voltadas à disseminação do empoderamento entre mulheres. A Olga, mais velha, nasceu sem fins lucrativos em 2013, da vontade da Juliana de denunciar o machismo, e já acumula feitos grandiosos, como as campanhas feministas #meuprimeiroassédio, #chegadefiufiu e #machismonapublicidade, que conectaram milhões de pessoas por meio de depoimentos nas redes sociais.

Já a Eva nasceu em 2015 para somar forças ao manifesto da Olga atacando seu principal vilão, a misoginia na publicidade, na proposta inédita de dialogar diretamente com as mulheres e o público LGBT pela difusão do femvertising (publicidade que reivindica o empoderamento feminino ao invés de contribuir para suas inseguranças) e, recentemente, chamou a atenção ao esbanjar ousadia na orientação da campanha #sintanapele, da Avon, estrelada pelo cantor Liniker, ícone do feminismo contemporâneo, idealizador do movimento do lacre, que exalta a individualidade do ser humano.

Afinal de contas, por que restringir as escolhas individuais em esteriótipos de masculino e feminino? Celebrar a complexidade de uma sociedade que valoriza todas as vozes é, sem dúvida, muito mais interessante. Confira a entrevista realizada pelo #ModaInfo com Nana Lima, co-fundadora da Think Eva, que em 13/10 vem ao Senac Lapa Faustolo palestrar sobre Identidade de Gênero:

 

Como o feminismo uniu vocês?
Nós já éramos amigas e nos interessávamos muito por difundir o empoderamento feminino por meio da informação, então o caminho para unir trabalho e propósito surgiu naturalmente.

Como nasceram os projetos Think Eva e Think Olga e em que eles se complementam?
Temos uma grande experiência com o público feminino por conta do Think Olga, que começou em 2013 com abordagens inovadoras sobre o público feminino. Ao produzirmos estes conteúdos e interagirmos com as leitoras, entendemos que as mulheres vivem um novo momento, de empoderamento, conquistas, autonomia e, principalmente, de espaço de fala. Elas não se calam mais.

Ao mesmo tempo, observamos a indústria da propaganda e percebemos que existe um enorme descompasso entre as mulheres de hoje e os estereótipos trabalhados pela mídia. Entendemos que a Eva veio nesse momento de transformação.
Assim, falamos que a Eva faz a mudança de dentro para fora das instituições e a Olga, de fora pra dentro, com campanhas e pressão social para que as demandas das mulheres sejam escutadas.

Os nomes Eva e Olga possuem algum significado especial?
Não. Queríamos personificar os projetos com nomes femininos fortes e gostamos muito de ambos nomes.

Em relação à violência contra a mulher, o Brasil aparece em 5º do Mapa da Violência de 2015. Como foi a receptividade das ideias do Think Eva no mercado
Por incrível que pareça a Eva teve uma ótima receptividade no mercado. Talvez o timing também tenha ajudado, pois o ano passado foi marcado por várias polêmicas entre marcas e o público feminino e a missão da Eva é justamente fazer as marcas repensarem a representação da mulher em suas campanhas.

Quais cases você destaca?
Em um ano e meio de empresa trabalhamos com o Youtube no projeto Mulheres Criadoras, com a Jout Jout liderando os vídeos. Já com o Facebook, atuamos na campanha #ElaFazHistória, sobre empreendedorismo feminino e, há um ano, com a Avon, nosso principal cliente, trabalhamos posicionamento de marca.

Falando nisso, a campanha #Sintanapele da Avon é um marco da publicidade de produtos de beleza no Brasil e vem como uma das ações de reposicionamento da marca, que antes reforçava a imagem da “mulher que deseja agradar” nas propagandas. Como está sendo o desenvolvimento desse trabalho?

Estamos trabalhando desde o ano passado com a Avon, em 2015, a campanha #belezaquefazsentido e vai muito além da maquiagem teve início e, agora, começamos a colher os frutos. Em 2016, todas as ações da marca estão abraçando o empoderamento feminino e a diversidade. O mais legal de trabalhar com essa marca é que a vontade de melhorar o mundo para as mulheres e para as pessoas da comunidade LGBT é verdadeira, então isso reflete de maneira muito mais honesta no seu branding.

 

Leia também: 2015, o ano do engajamento no feminismo

Fotos: Divulgação/ Think Eva

Comentários

Comentários