Movimento artístico influenciou o design de acessórios e roupas, além da beleza da época

 

Artista com luvas verdes - A cantora Dolly do “Café Star” de Le Havre, de Toulouse-Lautrec/ Divulgação

Artista com luvas verdes – A cantora Dolly do “Café Star” de Le Havre, de Toulouse-Lautrec/ Divulgação

A eferverscência noturna da cidade luz no final do século 19, imortalizada nas figuras da burguesia, de artistas e cabarés nos arredores de Montmartre, tomou conta do MASP (Museu de Artes de São Paulo), na exposição Toulouse-Lautrec em Vermelho, em cartaz até 1/8, que para o deleite dos admiradores do Art Nouveau, reúne 11 obras do artista, além de diversos documentos, como bilhetes, telegramas e fotografias.

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O artista francês Toulouse-Lautrec (1864-1901), que dá o nome à exposição, foi um frequentador assíduo da vida noturna de Paris. Nascido em uma família da nobreza decadente, ele transitava entre os universos burguês e proletário com desenvoltura, morrendo de sífilis aos 36 anos.

Renato Pinhel, docente de história da moda do Senac Lapa Faustolo, explica que, apesar do Art Nouveau ter surgido em Barcelona, influenciado pelo trabalho do arquiteto catalão Antoni Gaudí, foi na França que ele se consagrou, tendo nas obras de Toulouse-Lautrec um dos seus principais expoentes.

“O Art Nouveau resgata as formas orgânicas encontradas na natureza. Como o corpo feminino já tem curvas, a moda tratou de evidenciá-las ainda mais com o corset em S, marcando a silhueta formosa da Belle Époque, contemporânea ao período”, explica Pinhel.

Broche fada, de René Lalique/ Musée Lalique

Broche fada, de René Lalique/ Musée Lalique

O docente destaca que o bucolismo característico do Art Nouveau aparece nos acessórios em forma de bichos e flores, como desenhados pelo joalheiro René Lalique, enquanto que nas roupas, surge em estampas pintadas à mão em peças de seda, além de desenhos tramados em jacquard, recém-lançado à época. Contudo, é nos acabamentos dos vestidos, como aplicações de franjas e rendas, que a inovação aparece.

“Nessa época, os artistas retratavam mulheres que pareciam fadas, influenciando a indústria da beleza também, já que as mulheres começaram a descolorir os cabelos, reforçar os cachos e se maquiar”, avalia.

O docente explica que, posteriormente, a estilista Jeanne Lanvin vai resgatar essa atmosfera lúdica na moda ao se inspirar nos vestidos de sua mãe, trazendo as referências bucólicas em estampas. “Hoje, a cantora Florence Welch é um modelo art nouveau ambulante, além das últimas coleções da Gucci, que releem as referências da época”, finaliza.

Florence Welch, em figurino assinado pela Gucci

Florence Welch, em figurino de turnê assinado pela Gucci/ Divulgação

 

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