Arlindo Grund

Arlindo Grund

À frente do programa de TV Esquadrão da Moda com Isabella Fiorentino, o stylist Arlindo Grund, 42, professor da pós-graduação em Criação de Imagem e Styling de Moda do Senac Lapa Faustolo, é um dos nomes mais cotados para falar sobre estilo no Brasil.

O que pouca gente sabe é que a relação desse recifense com a moda vem desde a primeira infância, “aos três anos eu já brigava com meus pais porque queria escolher o que vestir”, lembra.

Arlindo começou como produtor de moda no Recife, em 1994, para, quatro anos mais tarde, abrir sua agência de publicidade e desenvolver campanhas para as marcas locais, além de atuar como buyer. Já em 2002, quando veio para São Paulo a convite de Flávio Aranha, seu sócio, deu início à carreira de stylist, assinando editoriais para todas as revistas do segmento.

O profissional não hesita em apontar o lowsumerism como uma tendência forte para o styling no Brasil. “Nunca houve demanda para a repetição de roupas nas campanhas de moda, apenas o inédito e a revisitação de peças icônicas tinham vez. Hoje é necessário repensar a criação das imagens levando isso em conta”, afirma.

Confira o ping-pong do Arlindo com o #ModaInfo na íntegra:

Como começou a sua relação com a moda?
Moda começou como um hobby para mim. Eu sempre fui apaixonado pelas possibilidades que as roupas representam e tinha o hábito de pesquisar o tema em revistas e livros, já que não havia curso de moda no Recife nos anos 90.

Como você ingressou no mercado?
Em 1998, comecei a fazer produção de moda no Recife, mas o mercado era pequeno ainda. Quando eu conclui meu MBA em Marketing, montei um escritório para atender empresas de moda e outros segmentos, além de atuar como buyer.
Quatro anos depois, recebi um convite para trabalhar como stylist em São Paulo com o Flávio Paiva, meu sócio. Daí começamos a fazer jobs para revistas, campanhas publicitárias e consultoria de imagem também.
Em 2008, comecei a fazer o Esquadrão da Moda e a lecionar em cursos livres e de pós-graduação.

Falando nisso, como é comentar a imagem dos outros na TV?
Quando o Esquadrão da Moda começou, meus amigos me diziam que eu já fazia a mesma coisa com os looks deles, sempre os levava ao meu closet para incrementar um look, então foi natural para mim.
Eu gosto de fazer piadas, o programa demanda uma pitada de humor, mas sempre me preocupei em fazer meus comentários de forma leve para as participantes e, assim, mostrar que estávamos ali para melhorar alguns aspectos da vida delas.

E como você se sente em relação a sua imagem?
Sou bem vaidoso, adoro me arrumar. Também olho sempre o que já postei no Instagram para não repetir um mesmo look. Já com 3 anos de idade eu brigava com os meus pais para escolher as minhas roupas.

Em relação à época em que você começou a fazer styling, há diferença nas histórias que a moda tem contado atualmente?
Tem sim, principalmente por causa do upcycling. Nunca houve demanda para a repetição de roupas nas campanhas de moda, apenas o inédito e a revisitação de peças icônicas tinham vez. Hoje é necessário repensar a criação das imagens levando isso em conta.

Então é o lowsumerism a tendência?
Sim, essa é a palavra forte, apesar de ser pouco conhecida por aqui. As pessoas ainda são consumistas.

E em relação ao empoderamento feminino, como a moda pode contribuir? 
A moda é vilã, é cruel e foi feita para um perfil de mulher alta e magra. Hoje, a mulher ainda acredita que o salto alto a deixa mais segura e austera, por exemplo, mas ela precisa perceber que quem faz isso por ela é a própria postura.
Eu sei que na nossa sociedade ainda é machista, vai demorar um pouco para as mulheres terem a igualdade reconhecida, mas nosso papel é mostrar que a moda é uma aliada delas, não um martírio, um compromisso social.

Esse é o ponto, qual o papel do styling como formador de opinião?
O stylist tem o papel de olhar para uma coleção e determinar quais são as peças importantes para uma determinada campanha, veículo ou situação. Eu sempre comparo o stylist ao sommelier, profissional que harmoniza o vinho com um prato. Harmonizamos roupas com uma determinada ocasião. É importante dialogar com o público.

Até porque o seu livro se chama “Nada pra Vestir” e você está falando em upcycling…
Sim, o mundo está em crise, não faz sentido dar prazo de validade de 3 meses a uma certa roupa só pra você se manter na moda. Eu digo isso no meu livro, é importante sair da zona de conforto e olhar para outras possibilidades para uma mesma peça.

Qual é o plano de carreira para o profissional que deseja ser stylist no Brasil?
Primeiro ele deve ser assistente de produção, daí produtor e coordenador, para depois trabalhar como stylist. É imprescindível adquirir toda essa experiência antes de sair por aí assinando editoriais.

Como estão as oportunidades no mercado para essa profissão, relativamente nova por aqui?
O mercado ainda está amadurecendo, muita coisa vai acontecer ainda. Eu sempre sugiro aos meus alunos que foquem em um segmento específico para começarem seu portfólio e bagagem.

E qual a sua opinião sobre os trabalhos de styling desenvolvidos no Brasil?
Eu gosto muito, nós temos uma pegada artesanal e um olhar muito bacana sobre o Brasil também, diferente de muitos estilistas que olham para fora pra criar.

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