Enquanto os makers quebram a cabeça para testar seus projetos, gigantes da tecnologia se associam a grifes para o desenvolvimento de roupas inteligentes 

Hi-lo tech da Ohne Titel- laçadas de tricô unem os elos impressos em 3D/ Foto- Agência Fotosite

Hi-lo tech da Ohne Titel- laçadas de tricô unem os elos impressos em 3D/ Foto- Agência Fotosite

Ao passo que o nicho dos wearables amadurece, a colaboração entre os makers é a solução para tirar os protótipos da nuvem. Isso porque a materialização de vestidos futuristas como os da holandesa Iris van Herpen exige dos estilistas conhecimentos em design de moda, programação e modelagem 3D, ou seja, o nível é hard.

Pois é, a antiga divisão de mundo entre criativos e analíticos está com os dias contados. Agregar conceitos de robótica ao design, além de programação e neurociência, é apenas um dos desafios dos profissionais que desejam expandir a experiência com a moda em tecnologia vestível.

“A educação é o primeiro passo para as pessoas se familiarizarem com essa tecnologia, assim como a chance ao erro. Hoje já é possível programar usando plataformas gratuitas, mas a gente ainda precisa de hardwares baratos para prototipar”, expõe o estilista Renan Serrano, diretor do Wired Festival Brasil.

 

No caso das impressoras 3D, o modelo FDM (modelagem por depósito de material fundido), mais popular, usa termoplástico para construção de camadas e custa cerca de mil reais. Já a impressora SLS (sinterização seletiva a laser), imprime materiais como ouro e gesso e custa cerca de R$100mil.

“No Brasil, apesar de a impressão 3D estar em destaque, o pessoal ainda está na fase da empolgação pelo do it yourself (faça você mesmo). O que a gente propõe é que, além de fazer, a pessoa programe as próprias roupas”, explica Renata Portelada, do Lab for Architectural Singularity, em São Paulo, que traz para o Brasil o primeiro workshop em programação para o software Maya, de modelagem e animação.

Interatividade

Artista multimídia Lina Lopes/ foto- reprodução

Artista multimídia Lina Lopes/ foto- reprodução

A arquiteta Raquel Duque Estrada começou a explorar a interatividade dos wearables em 2013, quando trabalhava em um laboratório de robótica. Hoje, ela cursa o mestrado em Open Design, em Berlin, em que estuda física, biologia, matemática, arquitetura e biologia de forma unificada por meio do design. “Nosso principal desafio é aproximar os acadêmicos de áreas diversas, pois há o mito da especificidade”, avalia.

Por aqui, Raquel desenvolveu oficinas de Costura High Tech, que integrava fazeres artesanais como o crochê com fios de led. Já em Berlim, ela toca o Pimp my Interactive Clothes, uma oficina de upcycle com tecnologia vestível.

A artista multimídia Lina Lopes, que estará presente no #ModaInfo 2017 ed.2 com o Talk Vestíveis Inteligentes, explora a interatividade dos wearables em seu lab Lilo Zone, na Vila Madalena, em que desenvolve os mais diferenciados workshops, integrando roupas, videomapping e vídeo jocking em cafés tecnológicos.

 

IoT x smart materials = funcionalidade

Levis jacquard, a jaqueta inteligente desenvolvida pela label junto ao Google para ciclistas/ Foto- reprodução

Na pegada do feito sob medida, a integração de materiais inteligentes e internet das coisas traz funcionalidade às roupas, como a jaqueta inteligente do projeto Jacquard, desenvolvida para ciclistas em parceria pela Levi’s e a Google. Suas fibras conectivas tramadas junto ao denim transmitem comandos básicos ao smartphone por meio do toque na manga, como trocar a música e conferir o trânsito no caminho.

 

“Falar sobre inteligência artificial só faz sentido se nos auxiliar a resolver problemas, melhorar a qualidade de vida das pessoas. Isso não é uma visão do futuro, mas do agora”, avalia Fabio Scopeta, vice-presidente de internet das coisas da Microsoft para a América Latina, que continua, “toda a tecnologia para materializar esses projetos já está disponível, o ponto-chave é democratização”.

Fabio também mentora o projeto Jersey X, da novaiorquina Chromat, desenvolvido para camisetas inteligentes de times de futebol americano que trazem a trepidação do touchdown para os fãs, numa proposta à la “Quero Ser John Malkovich”.

Seja a sua proposta mais ligada à experiência com a forma, com a interatividade ou com função, o importante é se jogar!

 

Foto em destaque: Agência Fotosite

 

Agradecimentos: Maria Rita Alonso e Jô Souza