Maior festival de arte e tecnologia da América Latina traz mais de 350 obras a São Paulo

 

Bolhas de sabão translúcidas saindo do som grave de grandes tubas, câmaras de ar que “esmagam” o público conforme se inflam, imersão em ambientes 3D. As metáforas do peso e da leveza que permeiam o imaginário das pessoas se materializam nas instalações artísticas da 18ª edição do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), intitulada O Borbulhar de Universos, que fica em exibição de 18/7 a 3/9 na Fiesp, além de outros pontos de São Paulo.

A exposição reúne 370 trabalhos – desde instalações interativas, jogos eletrônicos e animações, até gifs, videoartes, sonoridades eletrônicas e projeções –, produzidos por 339 artistas estrangeiros e apenas 18 brasileiros.

Ao explicarem o conceito que está por trás do mote desta edição, Paula Perissinotto e Ricardo Barreto, curadores e fundadores do FILE, refletem que “a proliferação de mundos e tendências nos arrebata numa pluralidade indeterminada. O universo, outrora imenso e sem fim, torna-se pequeno diante do multiverso”.

O Espaço de Exposições também abrigará, na primeira semana do evento,várias oficinas gratuitas abertas ao público, que abordarão o uso criativo de diferentes tecnologias no FILE Workshop. As inscrições para os workshops e palestras podem ser feitas pelo site www.file.org.br.

A artista Amy Karle no FILE 2017/ Foto: Walter Fonseca

A artista Amy Karle no FILE 2017/ Foto: Walter Fonseca

Um dos destaques do evento é sem dúvida a coleção Diálogo Interno da artista norte-americana Amy Karle, que explora detalhes da anatomia humana em roupas conciliando técnicas de costura ao high tech, como impressão 3D e corte a laser.

Amy é formada em Arte e Design e trabalhou com moda por oito anos. Em sua primeira visita ao Brasil, a artista conversou com o #ModaInfo sobre sua participação no FILE e a inspiração para o seu trabalho:

 

Como aconteceu o convite para o evento?

Os curadores me encontraram pelo vídeo que publiquei na internet e me convidaram. Fiquei impressionada com o convite pelo time e energia envolvidos e aceitei.

 

Como é expor seu trabalho em outro país?

Apesar de sermos de países diferentes e não falarmos a mesma língua, nos comunicamos por meio da linguagem eletrônica, das mídias digitais, por isso me sinto conectada com as pessoas daqui. Fui muito bem-recebida no Brasil.

 

Por que você começou a desenvolver sua arte com vestuário? 

Eu trabalho com o corpo humano, para mim as roupas são tanto um instrumento de autoexpressão quanto de ressignificação pessoal, com elas podemos trazer as emoções à tona e também mudar a forma como nos sentimos sobre nós mesmos.

 

É por isso você pesquisa a anatomia humana na confecção dos vestidos? 

Sim, todos eles representam algo da anatomia. O vestido inspirado em pulmões é especial para mim pois foi uma homenagem à minha amiga Lisa Ianonne, que fez transplante de um pulmão em decorrência de uma doença terminal. Observá-la atravessar a fragilidade do corpo enquanto fortalecia seu espírito me mostrou sua beleza e me inspirou a materializar sua capacidade de transformar o negativo em positivo.

 

Qual foi o primeiro vestido da série? 

O primeiro o chamado “Ossos e Ligamentos”, estudo para o qual eu também desenvolvi peças impressas em 3D. Para ele, eu escaneei o corpo em 3D e para depois cortar o tecido a laser, finalizando os looks com técnicas de costura.

 

Qual é a mensagem que você deseja transmitir com a sua arte? 

Meu trabalho pode ser visto como um objeto de especulação do futuro, de como podemos usar a tecnologia para curar e elevar nossos corpos. O mais importante é a arte falar por si, então desejo que as pessoas se sintam capazes de mostrar por meio das roupas um lado seu que queiram sentir verdadeiramente.

 

Olha só o vídeo da coleção “Diálogo Interno”:

Serviço:

FILE São Paulo 2017

Local: vários espaços do Centro Cultural FIESP (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)
Período: 18 de julho a 3 de setembro de 2017
*Programação no Espaço de Exposições: de 18 a 30 de julho de 2017
Horários: diariamente, das 10h às 20h (entrada permitida até 19h40)
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Entrada grátis.
Mais informações em www.centroculturalfiesp.com.br e www.file.org.br.
Foto em destaque: Divulgação

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