Off-line por opção, professor prefere consultar a memória ao invés do Google

 

Autor de onze livros sobre moda, o professor e historiador sul-paraibano João Braga é uma sumidade no assunto e dispensa as novas tecnologias em prol do fazeres manuais.

Há dezessete anos no mesmo endereço, um apartamento no centro de São Paulo, João conta que escreve seus artigos e livros à mão, se informa por rádio, revistas e jornais e atende ligações no telefone fixo. “Nunca gostei de máquina, não sei dirigir, nem usar computador e isso não me faz falta, estou sempre recebendo convites de trabalho”, avalia.

Recentemente, o professor conta que teve de se render a um tablet, presente de uma aluna que ficou por dois anos na caixa, para alguns registros fotográficos, “está muito difícil encontrar filme e laboratórios bons, então liguei o aparelho, fiz algumas fotos e o desliguei”, relata João, sobre seu début tecnológico.

O que pouca gente conhece sobre João é seu gosto pela jardinagem, em especial pelos jardins franceses, motivo pelo qual coleciona livros sobre o tema em sua vasta biblioteca, que possui mais de 25 mil obras sobre arte, moda, filosofia, ciência, religião, história, bordado e joalheria.

“O jardim tem uma questão muito simbólica para quem o cultiva, representa uma visão pessoal de como deve ser o paraíso”, explica ele, que cultiva esse hobby em uma casa no interior de São Paulo.

O ritmo frenético do ciberespaço não combina mesmo com o perfil centrado do professor, cuja própria memória funciona como um Google. “Tenho as informações na minha mente e as organizo rápido no papel, não vou perder tempo para aprender a usar a internet. Tô em outra vibe“, explica.

Tal apreço pelos processos o levou a proclamar seu discurso de posse como membro da Academia Brasileira de Moda, em agosto, em prosa, utilizando apenas palavras com a letra P, uma homenagem ao ofício de professor, que já percorreu a internet com milhares de visualizações nas páginas geridas por pessoas próximas a ele, uma outra aproximação sua com a rede. “Para contar minha história, quis estabelecer um ritmo, uma lógica. Assim sou”, finaliza.

Foto: Agência Fotosite

Discurso do P, por João Braga

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