Há mais de 10 anos prestando consultoria para marcas de moda do norte ao sul do Brasil, Tatiana Souza, mediadora do Senac Moda Informação 2.18, conhece a realidade do nosso mercado como poucos.

Desenhista industrial por formação, ela teve a oportunidade de vivenciar os altos e baixos do meio fashion frente ao cenário global de transformações sociais e econômicas da última década, que mudaram o jeito de se consumir o novo num trade movido pela novidade.

“Ficamos reproduzindo a mentalidade de fazedor de produto sem identidade por muito tempo. Ainda hoje, há uma boa parcela de profissionais nesta página, porém, cada vez mais eu vejo gente preocupada com a construção de marca por meio de um trabalho autoral”, avalia.

Confira o nosso ping-pong com a Tatiana no EP2 da série #ModaInfo 2.18: 

 

Como você começou a trabalhar com moda? 

Eu comecei a flertar com o segmento por meio do mercado de beleza, dada a representatividade das grifes nele, mas efetivamente fui trabalhar com moda em 2003, quando assumi a produção de uma marca de surfwear nacional para, mais tarde, responder pela área de estilo também.

 

E como você começou a realizar consultoria para as marcas?

Enquanto designer, sempre me interessei pela construção de identidade de marca e percebi uma oportunidade no mercado quando passei a desenhar coleções de moda. Então, em 2005, passei a trabalhar de forma independente, prestando consultoria para clientes como a Assintecal, Sebrae e também para marcas de moda, por meio dos quais conheci o Brasil todo.

 

Qual o seu projeto mais recente? 

Estou com o Instituto By Brasil em Nova Serrana (MG) fortalecendo a identidade conjunta do trade de 27 marcas locais de calçado. Gosto bastante desse trabalho porque é um exemplo de posicionamento de rede, tendência em que os “concorrentes” crescem juntos, sem recorrer à canibalização pela competição por preços, prejudicial a todos em longo prazo.

 

Isso seria impensável tempos atrás. 

Sim, mas cada marca é única, tem uma história própria pra contar que o cliente, mais do que nunca, quer saber. Uma coisa bem diferente de encantar o cliente com o seu processo criativo é competir por preço com peças importadas a baixíssimo custo da China. Não tem encantamento, tampouco identidade. Não dá.

 

E como você avalia o nível de consciência do mercado brasileiro de moda sobre isso? 

Ficamos reproduzindo a mentalidade de fazedor de produto sem identidade por muito tempo. Ainda hoje, há uma boa parcela de profissionais nesta página, porém, cada vez mais eu vejo gente preocupada com a construção de marca por meio de um trabalho autoral, com conceito, DNA e propósito.

Gosto de lembrar que, quando eu me formei, em 2001, tanto eu quanto a maioria dos meus colegas tínhamos a mentalidade de bater cartão e integrar a indústria da forma como ela se apresentava. O que eu vejo hoje é gente saindo da faculdade disposta a mudar tudo isso, tanto no formato das relações de trabalho quanto nas entregas das coleções.

 

E qual é o papel das tendências de moda nesse contexto? 

Eu vejo as tendências como um grande balaio. Você olha para a sua marca e, depois, analisa as tendências em busca de conexões, porque, invariavelmente, nem tudo que é tendência serve para ela.  O primeiro olhar é sempre para dentro da própria marca, da própria identidade.

 

Qual a sua dica para o público do #ModaInfo 2.18?

Venham ávidos, sem medo de ousar!

Conheça a nossa programação e participe:  

 

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Foto em destaque: Marcella Ferrari Boscolo

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