por Beatriz Garcia Damasceno
Fazer modelagem por si só já é desafiador.  E fazer modelagem para corpos que não são o tamanho 38 – e tem a silhueta ampulheta – é mais desafiador ainda. Essa dificuldade acontece pela falta de suporte bibliográfico e pela pouca quantidade de cursos oferecidos no mercado que abrangem esse tema.
 
Quando estava na faculdade (2010-2013), aprendi a fazer somente modelagem para corpos tamanho 38 e, puxando na memória, tive apenas duas atividades que me proporcionaram desenvolver uma peça sob medida para alguém. Considero que foi pouco o tempo para conseguir desenvolver essa habilidade de fazer modelagem para corpos além do tamanho 38. Modelagem para corpos gordos também não foi um assunto discutido ao longo dos quatro anos de graduação, esse era um tema que não fazia parte das discussões sociais da época e me formei sem saber como atender esse público.
 
Fui aprender modelagem para corpos além do 38 já no mercado de trabalho, quando fui trabalhar com festas e noivas sob medida na marca Martha Medeiros. Cada cliente que aparecia era um desafio – tive clientes de 15 anos até 80 anos – com os mais variados tipos de corpos, estaturas e preferências na hora de se vestir.
 
O que me fez na época conseguir desenvolver modelagem sob medida foi muita observação, testes e perguntas constantes para a modelista que trabalhava junto comigo há mais tempo na marca. Tive que descobrir praticamente sozinha como atender os mais variados corpos, o que me deu uma bagagem riquíssima e me fez perceber que cada corpo é único. 
 
Gostaria que tivesse uma via mais rápida de aprendizado na época. Para a nossa sorte, hoje a diversidade de corpos é discutida na mídia e se tornou tema dentro das salas de aula de modelagem e do mercado da moda. Os alunos dos cursos Técnico de Modelagem do Vestuário, por exemplo, já chegam com essa demanda de fazer uma moda mais plural e entendem que há mercado para todos. Fazer roupas somente tamanho 38 não faz sentido para esses estudantes.
 
Já é possível também encontrar cursos como o “Workshop de Modelagem Plus Size”,
oferecido pelo Senac, que dá esse suporte para quem quer trabalhar com tamanhos grandes. É uma ótima forma de aprender modelagem, fazer networking e analisar o que os colegas de profissão estão fazendo.
 
Expandir os horizontes para além de uma modelagem para um corpo tamanho 38 traz muitos aprendizados, nos faz perceber que cada corpo é único, não existe somente uma solução para todos os corpos e no final, consumidores e produtores da área da moda se beneficiam. Estar atento para essa diversidade de corpos existentes no mundo é muito importante e os debates acerca de como atender os mais variados públicos só trará benefícios a longo prazo. Haverá mais pessoas estudando, escrevendo livros e promovendo cursos para capacitar os profissionais. Os caminhos para os novos profissionais de modelagem ficarão mais fácil do que foi para mim.

Beatriz é docente do senac Lapa Faustolo e modelista, com especialização em Modelagem e Moulage de noiva, festa e alfaiataria. Concluiu recentemente uma especialização em Docência na Educação Superior no Mackenzie. Atuou como modelista da marca Reinaldo Lourenço onde pode desenvolver as peças desfiladas no SPFW. Atuou como modelista sob medidas de noiva e festa das marcas Martha Medeiros e Vanessa Abbud. Atualmente é docente do Senac São Paulo  e na Escola de Moda Profissional lecionando nos cursos técnicos e livres de modelagem e costura.

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